O peso de ser forte o tempo todo: o esforço silencioso dos homens gays
- Geovane Corrêa - Psicólogo
- 4 de out. de 2025
- 2 min de leitura
A força que se torna fardo
Desde cedo, muitos homens gays aprendem que precisam se provar o tempo todo. Seja no trabalho, nos estudos ou nas relações, há uma pressão constante para mostrar competência, inteligência, sucesso e equilíbrio, como se cada conquista precisasse compensar o preconceito e o julgamento que enfrentam.Essa busca por validação é exaustiva. É como se houvesse um alerta interno permanente dizendo: “Se eu falhar, vão usar isso contra mim.”
O inconsciente e o medo de não ser suficiente
Na perspectiva junguiana, quando vivemos sob tanta exigência, uma parte de nós, a persona, o papel social, acaba tomando conta. Ela nos protege, mas também nos distancia daquilo que somos de verdade.Por trás da imagem de força e controle, há um inconsciente tentando dizer algo: o medo de ser rejeitado, o desejo de pertencimento, a dor de nunca se sentir o bastante.A análise junguiana ajuda a escutar essas vozes internas, a reconhecer o que há por trás da persona e permitir que o verdadeiro self tenha espaço para existir.
Camadas de opressão: quando ser negro e gay intensifica a dor
Para homens gays negros, esse esforço ganha mais camadas. O racismo atravessa o corpo, a sexualidade e o olhar do outro, reforçando a sensação de precisar ser duas vezes melhor para ser respeitado.A sociedade cobra força de quem já vive sobrecarregado. E isso gera sofrimento psíquico, ansiedade, culpa e um cansaço profundo. O caminho de cura passa por poder ser vulnerável, sem medo de ser desvalorizado por isso.
A análise como espaço de respiro e reconexão
A análise junguiana pode ser um espaço para tirar a armadura, falar das dores e se reconectar com o próprio valor. É um processo de reconhecimento e de integração, que permite transformar o peso da defesa em uma força mais autêntica, aquela que vem da consciência de si, não da obrigação de resistir.
Convite
Talvez você também tenha aprendido a ser forte o tempo todo. Mas ninguém precisa carregar o mundo sozinho.A análise é um caminho de encontro com o que há de mais humano em nós, a dor, o medo, o desejo e a potência de existir de forma inteira.



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